Escrever pela arte ou por dinheiro?



Se você é um ser humano de uma certa idade, provavelmente já passou por inúmeras situações em sua vida, e já percorreu vários caminhos diferentes. Descobriu a si mesmo como escritor, ou escritora, em algum ponto da sua jornada pessoal - seja ainda na adolescência ou já na vida adulta. E depois disso surgiram outros questionamentos e dúvidas. E agora? Vou me jogar de cabeça nessa carreira de escritor, como um verdadeiro profissional da literatura, ou escreverei pela grandeza da própria arte, apenas por hobby?

A resposta a esse pequeno dilema interior pode levar a uma outra pergunta: em minha vida, eu prefiro alcançar o reconhecimento artístico ou retorno financeiro? Se a opção for pelo reconhecimento artístico, então talvez você não seja obrigado a tornar-se um escritor profissional. Talvez. Porque o mais provável é que apenas seus amigos, ou poucas pessoas da área da literatura, reconheçam algum talento nos seus textos e obras se você for um diletante, alheio ao mercado editorial, e que não se preocupa com a produtividade ou a apresentação profissional do seu trabalho.

Quem irá reconhecer que você é um grande artista se você publicar apenas 2 ou 3 obras literárias ao longo de uma vida inteira? É possível, mas improvável no mundo extremamente concorrido em que vivemos. Se você não se profissionalizar, mesmo antes de ganhar qualquer remuneração com o seu trabalho de escritor - ou mesmo sem ter pretensões de viver da sua arte - provavelmente o máximo que você irá conseguir publicar serão 2 ou 3 livros. É suficiente para você?

E se você quiser apenas o retorno financeiro, ou seja, ganhar dinheiro com literatura, certamente irá se tornar um profissional produtivo, irá pesquisar sobre o assunto, aplicará técnicas literárias para tornar seus textos puramente comerciais - mas sem alma, sem vida, sem grande expressão em seu olhar. Talvez até consiga vender alguma quantidade de livros, mas talvez jamais conquistará relevância entre grandes nomes da literatura, porque suas obras sem amor não conseguirão vender além de certo ponto.

Se houvesse apenas uma única escolha, eu optaria pelo reconhecimento artístico em detrimento do comercial. Aliás, essa é a grande forma de descobrir sua missão de vida: o que você faria se não precisasse trabalhar para se sustentar? A resposta invariavelmente gira em torno de algo que amamos e faríamos de graça para sempre, sem preocupações com dinheiro.

Mas há uma espécie de pegadinha nessa história: a verdade é que não é possível escolher apenas a relevância artística ou apenas a relevância comercial. As duas estão intimamente conectadas. Quanto mais nos preocuparmos em sermos apenas grandes artistas, provavelmente menos pessoas irão ler nosso trabalho, e menos pessoas podem ser impactadas por qualquer uma de nossas obras. Se, ao contrário, focarmos em sermos escritores apenas comerciais, preocupados em fazer somente uns trocados no fim do mês, provavelmente nunca ganharemos mais que isso: trocados.

Isto porque o verdadeiro retorno financeiro como escritor exige criar dezenas de histórias incríveis e apaixonantes ao longo do tempo. E, no geral, apenas pessoas com grande dedicação ao trabalho e talento artístico conseguem escrever histórias apaixonantes para o público constantemente, no período de uma vida inteira de sacerdócio literário.

Dessa forma, o pulo do gato reside na conciliação eficaz dos dois quesitos: o artístico e o comercial. As escritoras ou escritores que produzem e publicam considerando estes dois aspectos, com foco e determinação - seja de forma independente ou através de editoras - sabem que arte e dinheiro são duas faces da mesma moeda: a moeda do sucesso.

Essa moedinha número 1 do Tio Patinhas, chamada sucesso, é conquistada com grande esforço, sacrifício e persistência por parte do escritor, e não deve ser desprezada num canto nem tratada a pancadas. Você praticamente não pode obter reconhecimento artístico relevante sem se preocupar com o aspecto comercial, ou melhor, o retorno financeiro das suas histórias. Da mesma forma, é quase impossível alcançar grande relevância em vendas e viver somente da escrita se as suas obras forem artisticamente pobres.

Então, procure sempre escrever e construir a sua literatura, o seu portfólio literário, considerando os dois aspectos ao mesmo tempo: artístico e financeiro - mesmo que você atue apenas como um escritor amador, ou mesmo que você queira apenas ganhar um dinheiro extra com livros e E-books. Se quiser enfatizar apenas um desses dois lados, muito dificilmente encontrará o sucesso desejado. Somos seres únicos, indivisíveis, completos, e assim deve ser a nossa obra.

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