Quem vence o despertador também vence como escritor



Você provavelmente já assistiu ao belíssimo filme Rocky, vencedor do Oscar em 1977. Nele encontramos o mitológico boxeador Rocky Balboa, interpretado por Sylvester Stallone, que tem uma origem humilde na Filadélfia. Após inúmeros trancos e barrancos, e depois de quase desistir da carreira esportiva para viver uma vida medíocre e sem perspectivas no bairro pobre onde mora, recebe a oportunidade de fazer uma grande luta, apenas por dinheiro. Nesta luta ele deveria, supostamente, perder, para então enaltercer o adversário, muito mais rico e famoso, chamado de Apollo Doutrinador.

O problema é que Rocky aceita a luta, porém não aceita a derrota pré-determinada. Não aceita lutar apenas para fazer figuração; apenas para trabalhar e receber um pagamento no final; apenas para fazer outras pessoas saírem bem na foto. Rocky não aceita viver como mais um perdedor, mais um conformado. Ele quer mais, muito mais, e essa angústia o consome. Ao receber essa proposta, o Garanhão Italiano - como é apelidado - descobre a si mesmo pouco a pouco. Descobre quem ele é. Faz diferente. Constrói sua própria história. Prepara-se para lutar - não apenas no ringue, mas na vida.

Mas ainda falta o melhor ingrediente: Rocky quer ser o personagem principal de sua própria vida. Não aceita ordens, nem desculpas. Ele quer ser um herói da vida real. E prepara-se arduamente para isso. Treina duro, todos os dias, até quase morrer de dor e cansaço. Tem momentos de fraqueza, pensa em desistir novamente; mas finalmente segue adiante, tornando-se cada vez mais forte, fisicamente e mentalmente.

O grande trunfo da jornada de Rocky é que ela nos ensina que, para sermos vencedores na vida, realmente não importa quantas medalhas, cinturões ou troféus ganhamos - mas sim o quanto aguentamos apanhar e seguir levantando, sem nunca desistir de lutar, sob nenhuma hipótese. O que não nos mata, nos fortalece. 

Aí reside o segredo, a diferença sutil entre aqueles que sentam e choram, apontando culpados por suas vidas serem fracassadas, e entre aqueles que trabalham duro, dia após dia sem parar, enfrentando todos os medos e dificuldades, sem reclamar de nada nem acusar ninguém, pavimentando uma estrada sólida para a resistência. As pessoas que desistem nos primeiros obstáculos ficam para trás. Já as pessoas que persistem são aquelas que chamamos de vencedoras - sem imaginarmos o quanto elas lutaram para chegar onde estão, o quanto batalharam em busca do sucesso.

Uma das cenas mais belas do filme mostra Rocky no início de seus treinos diários para a grande luta com Apollo Doutrinador. Nosso herói levanta às 4h da manhã, com um frio abaixo de zero, alimenta-se apenas de gemas cruas de ovos e vai correr na rua. Sem se importar com a temperatura, com o sono, o medo, a pobreza, a solidão. Nada o impediu de correr atrás de seu grande objetivo, sua missão, seu propósito definitivo: ser o melhor lutador de todos os tempos - no boxe e na vida.

Repararam em um detalhe? O horário: 4 horas da manhã. Apenas uma pessoa extremamente determinada - uma pessoa sedenta pela vitória (muito mais sedenta que seus adversários) - consegue levantar nesse horário todos os dias, sem que nada nem ninguém a obrigue a fazer isso - a não ser ela própria. No caso, era a própria mente de Rocky que o obrigava a levantar da cama, custe o que custasse. Sem dor, sem ganho. Ele não queria apenas lutar. Ele queria lutar para ganhar. E iria provar isso a todos, inclusive a si mesmo. Poderia apanhar mais e sair derrotado? Sim, talvez. Mas a lição mais importante é que ele não se importava. Ele iria lutar para ganhar mesmo assim. Seu espírito, sua personalidade tinha medos e fraquezas, naturalmente, como todo ser humano. Todavia, sua mente apontava uma arma para a cabeça de seu espírito e gritava: - Eu não quero saber da sua dor! Agora levante e lute!

Essa história foi escrita pelo próprio Sylvester Stallone, que também era pobre e desconhecido, apanhou por muito tempo, recebeu inúmeros nãos e portas fechadas na indústria cinematográfica, mas nunca desistiu de lutar para vencer. Ele sabia que, se ficasse satisfeito com a derrota, sua vida não teria nada de memorável, não teria histórias incríveis. Como Stallone ensina, ninguém vai te bater tão forte quanto a vida. Ela quer você na lona, e vai se esforçar ao máximo pra te manter caído e choramingando no chão. Entretanto, quem aprende a lição, apanha muito, mas levanta sempre. Aí sim, somos verdadeiros heróis.

Então, se você tem o sonho de ser um grande escritor, assista o filme Rocky, reflita… Viva sob os ensinamentos valiosos do personagem Rocky Balboa. Eu sei que cada escritor tem seu ritmo de vida, suas obrigações, seus compromissos e horários. Mas, o que eu quero dizer é que, se você não consegue controlar seu próprio horário, se você não consegue vencer nem o seu despertador todas as manhãs, como espera vencer na vida? Como espera ser a escritora ou o escritor famoso e bem sucedido que há em você? Ninguém vai surgir do nada e reconhecer seu talento como escritor se você não lutar muito por isso antes.

Para a maioria das pessoas, levantar às 4h ou 5h da manhã pode ser ou parecer radical demais. Mas que tal acordar às 6h, ou pelo menos às 7h? Tenho certeza que um escritor que levanta cedo, gerencia seu tempo e tem foco irá escrever muito mais páginas maravilhosas em sua vida que aquele que passa as noites na farra e depois dorme até meio-dia. Inúmeros escritores famosos foram, sim, boêmios - ou simplesmente escreviam de madrugada. Mas certamente, ao contrário de nós, eles não tinham outros compromissos. Até alcançar o sucesso, somos pobres trabalhadores, com empregos normais e famílias para sustentar; somos operários das letras - lutadores das palavras e da vida, como Rocky Balboa. Vencer a si mesmo é a maior das vitórias. E precisamos conciliar a vida cotidiana com a vida de escritor. Que tal apanharmos mais e reclamarmos menos? No mínimo, chegaremos muito mais longe que aquele escritor que disser que não consegue ou não tem tempo. Vamos ganhar? Não custa lutar...

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