Ser escritor é investir no seu futuro



As pessoas escolhem profissões por inúmeros motivos. Umas pensam em status. Outros querem fama. Ou segurança. Há quem apenas queira fazer o bem. Se divertir. Ser feliz. Há os que preferem condicionadores de ar e também os que não perdem as brisas por nada. Umas querem vestir ternos bem alinhados e outras necessitam andar largadas. E também temos aquelas que se preocupam com o retorno financeiro da profissão que irão exercer por tantos anos.

Infelizmente, a profissão de escritor, ou escritora, costuma ser uma opção esquecida no fundo das gavetas por muita gente dedicada e talentosa, que preferiu seguir outras carreiras mais ou menos convencionais. Diante da suposta insegurança financeira que o ofício da escrita criativa parece impor a todos que nela se arriscam, sem escapatória, possíveis gênios como Stanislaw Lem, Agatha Christie, H. P. Lovecraft ou Mary Shelley não chegam a se formar nem ser lapidados. São perdidos para o mundo corporativo muito antes de poderem acreditar em si mesmos, antes de construírem os sólidos pilares da fé que os levaria a serem grandes nomes da literatura mundial.

Mas isto não deveria ser assim. Até porque as coisas não funcionam exatamente desse jeito no mundo artístico. Ser escritor não é uma sentença de penúria, não é um voto de pobreza. Como em praticamente todas as outras profissões, o trabalho literário exige entrega e sacrifício, sem os quais o bom profissional jamais chega a se destacar no mercado. Até mesmo os trabalhos tidos como tradicionais, “garantidos”, na verdade não têm garantia alguma: há muitos médicos e advogados que são mal remunerados, mesmo tendo pago faculdades caríssimas, muitas vezes. É a lei da oferta e da procura.

Da mesma forma ocorre com o escritor e com a escritora. Se o profissional das artes literárias consegue gerar valor para o mundo, ou melhor, se consegue construir um público cativo ao longo dos anos de trabalho, através da inspiração, energia e esforços que culminam em um determinado conjunto de palavras ordenadas em um determinado texto, e esse texto emociona e encanta as pessoas, através de histórias incríveis - então, certamente, esse escritor encontrará o seu digno espaço no mercado, sendo reconhecido e valorizado por isso.

O futuro é cada vez mais tecnológico e, se você busca uma profissão apenas porque ela parece ser garantida, ou porque ela remunera bem, ou porque ela lhe dá status, seria interessante lembrar que a velocidade das mudanças que estão transformando nossa sociedade é cada vez maior. Já temos carros e serviços de entrega totalmente automáticos, bem como serviços de atendimento ao público e pagamentos. E as profissões mais clássicas também devem ser superadas pela tecnologia, pelos aplicativos, softwares e robôs.

A tendência é que a grande maioria dos empregos, profissões e processos, que foram tradicionalmente realizados de forma mecânica ou artesanal ao longo da História, sejam automatizados, e que o mundo tenha que lidar com uma grave crise de desemprego - ou encontrar formas novas de remunerar os cidadãos como, por exemplo, a Renda Básica Universal. Diante de um cenário como esse, é imperativo pensarmos: o que nos faz humanos? Será que o trabalho, como o conhecemos, ainda cumprirá esse papel de nos tornar seres distintos no planeta?

Penso que a arte ocupará esse vazio daqui por diante. O vazio de nossas gritarias e passeios sem sentido pela Terra será preenchido não mais por um trabalho das 8h às 18h, mas sim pela busca de sentido dentro de nós mesmos, na trilha das questões mais primordiais que dizem respeito ao ser humano: quem somos, de onde viemos, para onde vamos?

Fazer arte ou, de maneira mais específica, ser escritor se tornará um dos ofícios menos afetados pelo avanço da tecnologia no próximo século. Não é impossível que em breve existam algoritmos tão inteligentes que criem histórias, contos e romances absolutamente criativos e cativantes. No entanto, a possibilidade de que isso efetivamente aconteça, e acabe ceifando postos de trabalho entre os escritores humanos, é ainda bem menor  - e bem mais distante -  que o domínio palpável dos softwares entre as profissões que não precisam de uma inteligência criadora a todo instante, como a profissão de escritor precisa.

Sendo assim, as carreiras tradicionais correm hoje mais perigo que aquelas ligadas à inteligência, à inventividade, e a criatividade. Assim como temos vários exemplos de escritores destacados, que alcançaram não apenas fama, mas também ajudaram, inspiraram, emocionaram, levaram alegria e diversão a milhares de pessoas - e obtiveram sucesso financeiro com isso - você também pode ser um desses profissionais da escrita, trabalhando com o que ama e garantindo o seu futuro no mercado, sabendo que não poderá ser substituído por nenhum tipo de máquina tão cedo.

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